Quase oito em cada dez professores da educação básica (79,4%) já pensaram em desistir da carreira. A falta de valorização e de estímulo profissional foi apontada por 74,8% dos entrevistados, enquanto 62,8% citaram a falta de disciplina e de interesse dos alunos como um dos desafios da profissão. Os dados são de uma pesquisa do Instituto Semesp, realizada em março de 2024 com 444 docentes das redes pública e privada de todo o país. O levantamento também revelou que 67,6% se sentem inseguros, desanimados ou frustrados em relação ao futuro profissional e que 52,3% já sofreram algum tipo de violência no exercício da docência.
Apesar das dificuldades, o interesse em ensinar e compartilhar conhecimento foi apontado por 59,7% dos professores como uma das principais razões para continuar na carreira. A satisfação de acompanhar o progresso dos alunos apareceu em segundo lugar, citada por 35,4% dos entrevistados. Em Cocal dos Alves, no Piauí, esse sentimento está presente na trajetória de Vanessa Rocha de Sousa. Filha de professora, ela escolheu seguir a mesma profissão da mãe e hoje se emociona ao ver seus estudantes avançarem na aprendizagem.
Os avanços na alfabetização de Cocal dos Alves ajudam a dimensionar o trabalho desenvolvido pelos profissionais da rede municipal. O município mantém parceria com o Instituto Alfa e Beto desde agosto de 2026, quando passou a adotar sua metodologia de ensino, fundamentada em evidências científicas. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que reúne dados de desempenho dos estudantes em avaliações de língua portuguesa e matemática e de aprovação escolar, passou de 6,2, em 2019, para 7,8, em 2025, nos anos iniciais do ensino fundamental.
Para Vanessa, a importância desse trabalho envolve professores, gestores, equipes pedagógicas e famílias, além de revelar também conquistas individuais, como acompanhar a trajetória de uma criança que chegou à turma sem conhecer o alfabeto e hoje consegue ler textos.
Uma história que começou com a mãe
A relação da professora Vanessa com a educação começou antes mesmo de seu nascimento. Na casa de seus pais, existe até hoje um quarto que a mãe utilizava como sala de aula. Embora não tenha vivido aquela experiência diretamente, ela cresceu ouvindo as histórias e conhecendo, por meio dela, os primeiros capítulos de uma trajetória dedicada ao ensino.
“Minha escolha pela profissão de professora tem muito a ver com a minha história de vida. Sou filha de uma professora que, pelas oportunidades que existiam na época, teve pouco acesso aos estudos, mas ensinou o pouco que aprendeu. Na casa dos meus pais existe até hoje um quarto que funcionava como sala de aula. Isso aconteceu antes de eu nascer, mas cresci ouvindo as histórias da minha mãe e conhecendo, através dela, um pouco desse universo”, conta.
Com o passar dos anos, a mãe precisou seguir outros caminhos profissionais. Trabalhou como zeladora e merendeira, já que a exigência de formação para atuar como professora havia aumentado. Mesmo assim, a escola continuou presente na vida da família.
“Ela sempre me levava para as escolas onde trabalhava, e foi ali que fui criando uma ligação muito forte com esse ambiente. Desde pequena, sempre fui apaixonada por descobrir novos mundos e por compartilhar aquilo que aprendia. Também sempre admirei a maneira como as crianças são curiosas e estão constantemente buscando descobrir e compreender o mundo ao seu redor. Foi dessa mistura de histórias, experiências e paixões que nasceu o meu sonho de ser pedagoga”, explica Vanessa.
A emoção de ver um aluno aprender a ler
No 2º ano do ensino fundamental, o desenvolvimento da leitura ganha destaque na rotina da professora. É nessa etapa que ela acompanha de perto a evolução das crianças, desde as primeiras dificuldades até a conquista de maior autonomia.
“O que mais me encanta em trabalhar com o 2º ano é acompanhar de perto o processo de leitura até ver eles conseguindo ler textos. Acompanhar esse desenvolvimento, perceber cada pequena conquista e ver a autonomia que vão adquirindo é algo encantador. É uma fase em que conseguimos enxergar de forma muito concreta o quanto a aprendizagem transforma a criança”, afirma.
Uma experiência, em particular, marcou sua trajetória. Um aluno chegou à turma sem conhecer o alfabeto, com dificuldades de aprendizagem e pouco interesse pelos estudos. Em vez de concentrar a atenção apenas no que ele ainda não conseguia fazer, Vanessa passou a reconhecer cada avanço, por menor que fosse.
“Todos os dias, comecei a valorizar e elogiar cada pequeno avanço, mostrando a ele que era capaz e fazendo com que acreditasse no seu próprio potencial. Hoje, vê-lo lendo textos é algo que me emociona muito. É uma conquista dele, mas também é uma alegria imensa para mim como professora, porque mostra que, com incentivo, dedicação e confiança, podemos ajudar uma criança a descobrir que ela é capaz de aprender”, relata.
Para a professora do 2º ano, acompanhar essa transformação é uma das recompensas mais importantes da docência. O desenvolvimento do estudante também reforça a importância de respeitar o ritmo de aprendizagem de cada criança e reconhecer as conquistas ao longo do caminho.
“O Ensino Estruturado do Instituto Alfa e Beto contribui muito para o meu trabalho porque acompanha passo a passo o processo de aprendizagem da criança, dando uma direção e uma organização para o trabalho em sala de aula. O programa promove um desenvolvimento amplo da leitura, trabalhando aspectos fundamentais como a fluência, a prosódia e a compreensão. Para mim, o Instituto veio agregar conceitos e práticas que são fundamentais para a alfabetização das crianças”, afirma.
Ensinar também é aprender
A experiência da mãe foi decisiva para que a professora escolhesse a docência. Agora, são as vivências com os próprios alunos que renovam seu compromisso com a profissão e sua compreensão sobre o papel do professor.
Para quem pensa em seguir a carreira, ela aconselha que a decisão venha acompanhada de disposição para estudar, paciência e abertura para aprender continuamente. “Eu diria que ser professor é uma profissão que exige dedicação, estudo, paciência e muito amor pelo que fazemos. Não é uma profissão em que vemos apenas resultados imediatos; muitas vezes, plantamos hoje uma semente que só vamos perceber crescer depois”, pondera a educadora.
“É justamente isso que torna essa profissão tão especial. Acompanhar uma criança aprendendo, descobrindo suas capacidades e conquistando sua autonomia é uma experiência que não tem preço. Para quem pensa em seguir essa carreira, eu diria: esteja disposto a aprender todos os dias, porque, ao ensinar, também aprendemos muito com nossos alunos. E, acima de tudo, nunca perca o encantamento de acreditar que a educação pode transformar vidas”, finaliza a professora do 2º ano, Vanessa Rocha de Souza.
Fonte/Créditos: Assessoria
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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