Para ampliar a cobertura vacinal entre comunidades indígenas do Piauí, o Ministério da Saúde realizou nesta quinta-feira (23) uma ação especial na comunidade Nazaré, com o povo indígena Tabajara, em Lagoa de São Francisco, no norte do estado. O evento contou com a presença do secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, do deputado federal Dr. Francisco e de representantes do governo estadual e municipal.
A mobilização integra o Mês de Vacinação dos Povos Indígenas (MVPI) e teve como foco a aplicação de doses contra a gripe (Influenza) e a atualização da caderneta vacinal dos povos originários. A expectativa do governo federal é alcançar mais de 70 mil indígenas em todo o território nacional até o fim de maio.
Além da imunização, o evento teve caráter simbólico e festivo, com a participação do personagem Zé Gotinha, símbolo tradicional das campanhas de vacinação no Brasil. Para o Pajé Vitor Tabajara Ypy, da comunidade Canto da Várzea, em Piripiri, a ação representa um momento de grande valor para a saúde coletiva. “Como guardiões da natureza e da nossa medicina ancestral, celebramos essa união entre os saberes tradicionais e a medicina preventiva oferecida pelo SUS”, destacou.
O deputado Dr. Francisco, que atua pela implantação de um Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) no Piauí, destacou os avanços na estruturação da saúde voltada aos povos indígenas. “Hoje temos quatro polos sob atenção direta do Ministério da Saúde, e estamos trabalhando para garantir um cuidado mais humanizado e específico às comunidades indígenas do estado”, afirmou.
Segundo Weibe Tapeba, esta é a primeira campanha de vacinação do gênero realizada no estado e simboliza um pacto pela saúde indígena. “Estamos fortalecendo uma rede de proteção que envolve lideranças comunitárias, escolas, órgãos públicos e toda a sociedade civil em um compromisso com o bem-estar dos povos originários”, enfatizou o secretário.
Atualmente, o Piauí abriga mais de 7 mil indígenas, conforme estimativa do Ministério da Saúde baseada em dados do IBGE. O DSEI atua como uma extensão do SUS, levando serviços médicos adaptados às realidades culturais e sociais dessas populações, com equipes multiprofissionais que integram saberes tradicionais e científicos.