Cidade do Vaticano – 21 de abril de 2025 — O mundo amanheceu em luto nesta segunda-feira com a confirmação da morte do Papa Francisco, aos 88 anos. Líder da Igreja Católica desde 2013, Francisco foi o primeiro papa latino-americano e o primeiro jesuíta a assumir o trono de São Pedro. Seu falecimento foi anunciado oficialmente pelo Vaticano às 6h32 (horário local), após dias de internação devido a complicações respiratórias.

Jorge Mario Bergoglio, argentino de Buenos Aires, quebrou uma longa tradição europeia ao ser eleito o 266º papa, e marcou seu pontificado por um estilo pastoral mais simples, voltado aos pobres, marginalizados e às questões sociais mais urgentes da contemporaneidade. Com um papado repleto de gestos simbólicos — como o uso de vestes simples, recusas a luxos do cargo e visitas a refugiados —, Francisco será lembrado como uma figura reformista, que tentou aproximar a Igreja de uma sociedade em constante transformação.
Velório e funeral
O corpo de Francisco será velado na Basílica de São Pedro a partir de amanhã, 22 de abril, permitindo que fiéis do mundo inteiro prestem suas homenagens. O velório será conduzido com simplicidade, como ele próprio havia desejado em instruções deixadas ainda em vida. O funeral ocorrerá na próxima sexta-feira, 25 de abril, também na Praça de São Pedro, em uma cerimônia aberta ao público e com transmissão ao vivo para diversos países.

Chefes de Estado, líderes religiosos, autoridades católicas e representantes de várias crenças já confirmaram presença, incluindo o presidente da Argentina, o secretário-geral da ONU e o Patriarca Ortodoxo de Constantinopla.
O caixão de madeira simples escolhido por Francisco será enterrado nas Grutas Vaticanas, sob a Basílica, onde repousam outros pontífices.
Um papa do fim do mundo
“Os cardeais foram me buscar quase no fim do mundo”, disse ele, ao ser apresentado ao mundo da sacada da Basílica de São Pedro em março de 2013. Essa frase definiu não apenas a surpresa de sua eleição, mas também o tom de seu pontificado. Eleito após a renúncia de Bento XVI, Francisco herdou uma Igreja envolta em crises internas e externas, desde escândalos financeiros até casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero.
Mesmo diante da resistência de setores conservadores, Francisco promoveu reformas na Cúria Romana, reforçou o combate à pedofilia e incentivou o debate sobre temas até então considerados tabus na Igreja, como o papel das mulheres, a inclusão da comunidade LGBTQIA+ e a crise ambiental. Sua encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado com a casa comum, tornou-se um marco da teologia ecológica no século XXI.
O legado
Com quase 12 anos de pontificado, Francisco deixa um legado de aproximação entre fé e justiça social. Foi um papa das periferias, que não hesitou em denunciar as desigualdades globais, a xenofobia, o racismo e o desrespeito aos migrantes. Recebeu líderes de outras religiões, lavou os pés de presidiários e insistiu em um diálogo constante com os jovens e os mais pobres.
Na América Latina, seu impacto foi profundo. Tornou-se um símbolo de esperança em meio às crises políticas e sociais do continente, e encorajou movimentos populares a não abandonarem a fé diante das injustiças.
O que acontece agora?
Com a morte do papa, a Igreja entra oficialmente em sede vacante, período em que a Sé Apostólica fica sem ocupante. O decano do Colégio dos Cardeais convocará nas próximas semanas o conclave que elegerá o novo pontífice. Enquanto isso, o cardeal camerlengo assume funções administrativas e protocolares temporárias.
O nome de possíveis sucessores ainda não foi ventilado publicamente, mas especula-se que o novo papa possa vir da África ou da Ásia, refletindo o crescimento do catolicismo nessas regiões.
Uma despedida histórica
A morte de Francisco encerra um ciclo histórico: o de um papa que caminhou pelas favelas, pelas prisões e pelos campos de refugiados, sempre com a mesma mensagem — de misericórdia, inclusão e humildade.
Milhões ao redor do mundo lamentam sua partida. Mas as sementes que ele plantou — de compaixão e reforma — continuarão a germinar na Igreja e além dela.
“Rezai por mim”, costumava pedir o Papa Francisco em cada encontro. Hoje, é o mundo que reza por ele.