Nove chaves de portas de senzalas, registros de compra e venda de pessoas escravizadas produzidos entre 1831 e 1850 no Piauí e outros documentos raros estão entre os materiais apreendidos durante a Operação Guarda-Mór, realizada na quinta-feira (13) pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Campo Maior, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em cinco endereços de Teresina, Campo Maior e Sigefredo Pacheco. O objetivo foi localizar e preservar documentos e objetos relacionados à história de Campo Maior, à Batalha do Jenipapo, ao período imperial e à escravidão no Piauí, além de materiais que integrariam o acervo judicial do Tribunal de Justiça do Estado.
Parte do material estava ligada ao acervo do Museu Zé Didor, em Campo Maior, fechado desde a morte do fundador, José de Oliveira Didor, em dezembro de 2022. Segundo o promotor de Justiça Maurício Gomes de Sousa, havia preocupação com a conservação dos documentos, que estavam sob responsabilidade de representantes de uma fundação privada.
Entre os itens de maior relevância estão livros e registros de negociações envolvendo pessoas escravizadas. Os documentos, produzidos durante o século XIX, podem contribuir para pesquisas sobre a escravidão e as relações sociais e econômicas existentes no Piauí durante o período imperial. As chaves de antigas senzalas também chamam atenção pelo valor histórico e simbólico.
De acordo com o promotor, foram realizadas tentativas de obter acesso ao acervo e informações sobre a localização dos materiais. Diante das dificuldades, o Ministério Público adotou a medida de busca e apreensão para garantir a localização e a preservação dos documentos.
O material será agora catalogado e analisado por historiadores e pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que deverão avaliar a origem, o conteúdo e a relevância histórica de cada peça. A análise poderá revelar novas informações sobre a escravidão, a formação de Campo Maior e acontecimentos ligados à Batalha do Jenipapo.
A denominação da operação faz referência ao “Guarda-Mór”, função associada à guarda e conservação de arquivos e documentos oficiais durante os períodos colonial e imperial. A escolha simboliza justamente a proteção da memória documental.
A ação contou com a participação do Bope, Bepi, Polícia Civil e pesquisadores do Núcleo de Pesquisa em História e Memória do Piauí, vinculado à UFPI. O trabalho de preservação deverá definir o valor histórico e cultural dos materiais e contribuir para que esse patrimônio possa ser estudado e, futuramente, conhecido pela sociedade.
Fonte/Créditos: Redação - com informações de MPPI
Créditos (Imagem de capa): MP/PI

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