Na manhã desta quarta-feira (24), a Câmara de Piripiri realizou audiência pública para discutir os transtornos causados pelo mau cheiro proveniente da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), operada pela Águas do Piauí (AGEA), em Piripiri. O encontro foi solicitado pelo vereador William da Loto (PT), morador do bairro Germano, uma das áreas mais afetadas pelo problema.
A audiência contou com a participação da maioria dos vereadores do município, além do promotor de Justiça Nivaldo Ribeiro, da representante da OAB de Piripiri, Érika Ribeiro, representantes da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado do Piauí (AGRESPI), que participaram de forma remota, moradores dos bairros atingidos e do gerente executivo da AGEA, Célio Damásio.
Durante o debate, os parlamentares questionaram a concessionária sobre sua responsabilidade diante do problema, os prazos para solução e as medidas já adotadas para minimizar os impactos. Moradores relataram prejuízos à qualidade de vida e cobraram providências imediatas.
Representantes da AGRESPI informaram que, após tomarem conhecimento das reclamações da população, enviaram técnicos ao local para realização de inspeções. Segundo o órgão, foram elaborados relatórios com recomendações à empresa responsável, mas, até o momento, não houve retorno positivo quanto à implementação das medidas sugeridas.
Para o presidente da Câmara Municipal, Euler Nogueira (PDT), a situação se tornou insustentável. Segundo ele, a obra foi mal localizada e mal projetada. “É uma desumanidade com a população”, afirmou.
O promotor Nivaldo Ribeiro destacou que as reclamações dos moradores são antigas e relatou já ter visitado a estação. “A estação de tratamento não trata nada”, declarou, ao afirmar que encontrou o local em situação de abandono.
Como encaminhamento, Ribeiro sugeriu a criação de uma comissão para realizar visitas semanais à ETE, acompanhando a situação e cobrando providências da empresa.
Em sua manifestação, o gerente executivo da AGEA, Célio Damásio, afirmou que a estação opera dentro dos padrões estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e que a presença de odores é uma característica comum em sistemas de tratamento de esgoto.
A audiência foi encerrada sem a apresentação de uma solução definitiva por parte da concessionária. O Ministério Público informou que pretende adotar medidas judiciais para exigir a resolução do problema. “Se não houver solução, vamos pedir intervenção e estabelecer prazo para a construção de uma nova estação em outro local”, afirmou o promotor.
A audiência reforçou a pressão de moradores, autoridades e representantes políticos para que a concessionária apresente medidas rápidas e eficazes, garantindo melhores condições de vida à população dos bairros afetados.
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