O tradicional B-R-O Bró, período conhecido pelas altas temperaturas no Piauí, chegou mais cedo em 2024. Já em julho, o estado enfrenta ondas de calor e baixos índices de umidade, fatores que, somados à ação humana, disparam os riscos de incêndios florestais e perdas ambientais.
De acordo com dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e da Funceme, o Piauí tem 80% de probabilidade de registrar temperaturas até 2°C acima da média histórica entre agosto e outubro. O aquecimento já é perceptível no extremo sul do estado, onde a média está 1,5°C acima do normal.
Além do desconforto térmico e problemas respiratórios, o aumento das temperaturas traz impactos à agricultura, pecuária e, principalmente, ao risco de queimadas, que já começaram a surgir antes mesmo de agosto, tradicionalmente o mês mais quente.
A climatologista Sara Cardoso, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), alerta que os níveis de umidade podem cair para menos de 15% em regiões como Campo Maior e o sudoeste piauiense. “A tendência é de um período ainda mais seco, com picos de até 39°C em setembro nas regiões centro-norte, sudeste e sudoeste”, explica.
Risco de incêndios
Para o diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, Werton Costa, 99% dos incêndios registrados têm origem humana. “Mesmo fatores naturais como raios ou reflexo de vidro são extremamente raros. A combinação de calor, vegetação seca, ventos e ação humana forma um cenário altamente inflamável”, afirma.
O uso do fogo como ferramenta para limpeza de terrenos ou fins agrícolas fora do período legal também preocupa. “Além de crime ambiental, essas queimadas colocam em risco a população e o meio ambiente”, reforça Werton.
Atuação integrada no combate ao fogo
Com o agravamento das condições climáticas, órgãos como a Defesa Civil, a Semarh e o Corpo de Bombeiros intensificaram ações preventivas. Brigadas municipais estão sendo treinadas e equipadas para atuação direta nas áreas com maior incidência de focos de calor.
O comandante geral do Corpo de Bombeiros, coronel Arimateia Rêgo, destaca o papel da população. “Evitar queimadas é um dever coletivo. Uma simples faísca pode causar um desastre ambiental. Prevenção começa com cada cidadão”, afirma.
Enquanto o calor avança e a previsão de chuvas é adiada, a orientação é redobrar os cuidados, evitar o uso de fogo e colaborar com os canais oficiais de denúncia em caso de focos de incêndio.
Comentários: