O balanço pluviométrico de janeiro no Piauí trouxe preocupação ao registrar redução nas médias de chuva em 55 municípios, na comparação com o mesmo período de 2025. Apenas cinco cidades apresentaram volumes superiores. O retrato inicial foi de chuvas fracas e mal distribuídas, mas fevereiro já mostra uma mudança significativa no padrão atmosférico, segundo dados da Sala de Monitoramento e Eventos Climáticos Extremos da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh-PI).
Entre os municípios com maiores quedas estão Alto Longá (-269,30 mm), Castelo do Piauí (-259,40 mm) e Boqueirão do Piauí (-251,20 mm). Já as menores reduções ocorreram em Parnaíba (-10,30 mm), Assunção do Piauí (-6,00 mm) e Miguel Alves (-0,70 mm). As médias positivas se concentraram em Cajueiro da Praia (107,55 mm), União (90,40 mm), Nossa Senhora dos Remédios (81,50 mm), Ilha Grande (35,00 mm) e Cristino Castro (16,70 mm).
De acordo com a meteorologista Sônia Feitosa, o cenário mudou na virada para fevereiro: “O mês vem sendo marcado por uma condição de chuvas. Até janeiro, elas aconteciam com pouca intensidade e de forma mal distribuída. A partir do fim da primeira semana de fevereiro, passaram a se distribuir de forma mais uniforme em todas as regiões do estado”, explicou.
O principal sistema responsável pela mudança é a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que intensifica instabilidades e favorece chuvas fortes, com descargas elétricas e ventos mais intensos, especialmente nas regiões central e sul. Em alguns pontos, os acumulados podem chegar a 100 mm em um dia ou até 60 mm em apenas uma hora, volume considerado elevado e com potencial para alagamentos.
A previsão indica continuidade das chuvas nos próximos dias, mantendo o padrão de instabilidade principalmente no centro e sul do estado. A Semarh reforça que a população acompanhe diariamente os boletins e alertas emitidos pela Sala de Monitoramento, sobretudo os de categoria “perigo”, que indicam risco de tempestades.
Se janeiro foi marcado pela escassez, fevereiro redesenha o mapa das águas no Piauí. O desafio agora é administrar o excesso após a falta, realidade que impacta diretamente a agricultura, os reservatórios e o cotidiano da população.