Parnaíba (PI) — Um treinador de futebol de 30 anos foi preso nesta segunda-feira (12) na cidade de Parnaíba, litoral do Piauí, suspeito de cometer uma série de crimes sexuais contra adolescentes. A ação foi realizada pela Polícia Civil por meio da Delegacia de Atendimento à Mulher e do Grupo de Apoio à Criança e ao Adolescente, após uma investigação que identificou mais de dez vítimas entre 14 e 20 anos.
De acordo com as autoridades, o suspeito — identificado pelas iniciais N.R.M. — usava sua posição como treinador esportivo, agenciador de atletas e também líder religioso em uma igreja evangélica para atrair e manipular emocionalmente os jovens. Ele prometia transformar os garotos em jogadores profissionais e se apresentava como uma figura paterna para adolescentes em situação de vulnerabilidade, muitos deles sem acompanhamento familiar próximo.
“Era uma abordagem planejada, baseada em vínculos afetivos e psicológicos. Ele oferecia apoio, aconselhamento e depois usava essa confiança para cometer os abusos”, afirmou a delegada Daniella Dinali, responsável pela investigação.
Os depoimentos apontam que o treinador criava laços de dependência emocional com as vítimas, usando também discursos religiosos para encobrir seus atos. Em alguns casos, os abusos eram apresentados como ‘provas de fé’ ou ‘rituais de preparação espiritual’ para o sucesso esportivo.
As denúncias começaram a surgir de forma isolada no início do ano, mas tomaram proporção após cruzamento de relatos semelhantes. Com o avanço das investigações, foi possível identificar um padrão de conduta e reunir provas suficientes para sua prisão em flagrante.
O suspeito foi conduzido à Central de Flagrantes de Parnaíba, onde permanece preso e à disposição da Justiça. Ele deve responder por crimes como estupro de vulnerável, corrupção de menores e aliciamento.
A polícia acredita que o número de vítimas pode ser ainda maior e reforça a importância de novas denúncias. Quem tiver informações pode entrar em contato com a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher pelos números (86) 99488-5675 ou (86) 99495-2064, inclusive de forma anônima.
“Casos como esse mostram que o abuso muitas vezes se esconde atrás de uma aparência de cuidado e orientação. Nosso trabalho é garantir justiça às vítimas e impedir que outros jovens passem pelo mesmo trauma”, declarou a delegada.
O caso gerou comoção entre moradores da cidade e deve ser acompanhado de perto por órgãos de proteção à infância, além do Ministério Público.
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